HOLLYWOOD NA GUERRA

Confessions of a Nazi Spy (Confissões de um espião nazista, 1939), de Anatole Litvak: o primeiro filme diretamente antinazista produzido em Hollywood.

Entre 1933 e 1939, Hollywood não produziu sequer um filme diretamente relacionado com o fascismo italiano ou o nazismo alemão. Uma rara exceção é The Life of Emile Zola (A vida de Émile Zola, EUA, 1937), de William Dieterle, que tratou do antissemitismo no caso Dreyfus em metafórica conexão com a situação contemporânea na Alemanha nazista, transportando a ação para a França do século XIX. As razões do apoliticismo de Hollywood eram de origem ideológica e econômica: os grandes estúdios, como a Paramount, a Fox, a MGM, exportavam seus filmes para a Itália e a Alemanha. A MGM possuía até mesmo um funcionário exclusivamente encarregado de “limpar” os nomes judeus dos créditos dos filmes exportados para o ‘Terceiro Reich’, que podia assim assisti-los com sua consciência racista mais tranqüila. Os produtores de Hollywood – em sua maioria de judeus que não queriam ser vistos como judeus – atinham-se ao princípio de que a indústria de cinema era essencialmente uma indústria de entretenimento, respondendo à necessidade que o público tinha de evasão da realidade. De fato, os filmes antinazistas não eram bem recebidos pelo público. Somente a partir de 17 de dezembro de 1941, com a entrada dos Estados Unidos na guerra, após o ataque a Pearl Harbor, é que o cinema industrial americano aderirá à propaganda de guerra.

O governo Roosevelt oficializou a produção de filmes de propaganda antinazista estabelecendo a meta de 125 filmes a serem produzidos em Hollywood com seu apoio, como parte do reforço de guerra. O OWI – Office War Information coordenava a produção, sob a direção de Elmar Davis, rádio- jornalista da CBS, e de Lowell Mellett, coordenador do Motion Picture Bureau. Eles trabalhavam com Hollywood para a produção de documentários de curta e longa metragem e das atualidades America Speaks. Essa produção pode ser dividida em duas linhas: a dos filmes militares e a dos filmes políticos. Os primeiros focavam histórias de quartel, com treinamento de soldados, ensaios de batalha e batalhas; os segundos denunciavam a espionagem nazista, os perigos da doutrina racial alemã, o totalitarismo. Todos exaltavam a mobilização e o patriotismo. Esse cinema também refletiu o novo papel de responsabilidade e comando atribuído à mulher. Logo no início dessa produção, conflitos entre as agências do governo e os produtores de Hollywood levaram a um acordo, com o reconhecimento do governo de que o filme deveria permanecer um entretenimento e, para produzir esse entretenimento, os agentes encarregados de intervir em Hollywood não tinham qualquer competência. Os produtores obtiveram a permissão de continuar seu trabalho de propaganda sem a intervenção do OWI.

No cinema antinazista americano produzido durante a guerra, um grupo de filmes (dramas, policiais e comédias) forçaram Hitler a atuar como personagem de suas tramas após a paródia pioneira de Charles Chaplin que “dublou” Hitler como Hinkel em The Great Dictator (O grade ditador, 1940): Citizen Kane (Cidadão Kane, 1941), de Orson Welles, com Carl Ekberg no papel; Man Hunt (1941), de Fritz Lang, com Ekberg; The Wife Takes a Flyer (1942), de Richard Wallace, com Ekberg; The Devil with Hitler (1942), de Gordon Douglas, com Bobby Watson; Hitler, Dead or Alive (1942), de Nick Grinde, com Watson; Once Upon a Honeymoon (1942), de Leo McCarey, com Ekberg; Star Spangled Rhythm (1942), de George Marshall, com Tom Dugan; Nazty Nuisance (1943), de Glenn Tryon, com Watson; The Strange Death of Adolf Hitler (1943), de James Hogan, com Ludwig Donath; e The Hitler Gang (1944), de John Farrow, com Watson. Além desses filmes, os grandes estúdios também produziram animações de guerra apresentando o personagem Hitler: Blitz Wolf (1942), com a voz de Bill Thompson dando vida ao cartum Adolf Wolf; e Tin Pan Alley Cats (1943), Scrap Happy Daffy (1943), Spies (1943); Daffy – The Commando (1943); Russian Rhapsody (1944); Plane Daffy (1944); Herr Meets Hare (1945), com a voz de Mel Blanc dando vida ao cartum de Adolf Hitler.

1. Filmes militaristas: patriotismo e guerra

Waterloo Bridge (EUA, 1940, p&b, drama, guerra). Direção: Mervyn LeRoy. Com Robert Taylor, Vivien Leigh. De partida para a Segunda Guerra, um aristocrático oficial inglês (Taylor) pede ao seu motorista particular para fazer uma parada na Ponte de Waterloo. Ali ele recorda um velho caso de amor que viveu durante a Primeira Guerra. Conhecera, naquela ponte, uma jovem bailarina (Leigh), durante um alerta de ataque aéreo. Apaixonaram-se, tentaram casar-se, mas antes que pudessem selar o compromisso, ele foi mobilizado. No dia seguinte, ela se viu despedida da companhia pela autocrática diretora.

Com uma amiga que tomou suas dores, demitindo-se da companhia, ela vive agora num apartamento miserável. As duas mal conseguem alimentar-se: primeiro a amiga, depois ela, acabam por se prostituir. Sem nada saber da situação da ex-bailarina, a mãe do oficial deseja conhecê-la e marca um encontro com ela num café. Atrasa-se, porém. Enquanto espera a dama, a jovem distrai-se lendo um jornal. Depara-se, subitamente, com uma lista de mortos na guerra: ali está o nome de seu amado. Alucinada de dor, ela se embebeda. Quando a velha dama chega, a jovem, incapaz de mencionar a lista, acaba fazendo uma péssima figura para a ex-futura sogra. Mais tarde, caçando soldados na estação, a ex-bailarina vê o oficial que retorna: tudo não passara de um mal-entendido, ele tinha sido apenas ferido.

O tempo passara e ele, mesmo sem contatar a ex-bailarina, nunca deixou de amá-la. Assim, quer agora apresentá-la como sua noiva à sociedade. Ele a leva a uma recepção em sua mansão, onde toda a nobreza se encontra. Todos ficam encantados com a graciosa donzela de coração puro. Mas ela sente viver uma farsa, temendo ser reconhecida por algum ex-cliente a qualquer momento. Não suportando enganar aquela família tão nobre, foge dali na calada da noite. A ex-bailarina não poder viver sem seu grande amor, nem tem coragem de contar-lhe a verdade sobre seu passado: acaba se jogando sob as rodas de um caminhão, bem ali, onde o oficial agora recorda tudo isso – na Ponte de Waterloo.

Waterloo Bridge não é um filme militarista, nem um drama de espionagem contendo uma clara mensagem antinazista. Trata-se, na verdade, de um dos mais belos e tristes dramas românticos da História do Cinema. Tem apenas, como pano de fundo, a mobilização dos ingleses durante a Segunda Guerra. Sua realização constitui, contudo, uma forma de solidariedade política, mas sem qualquer exagero: o patriotismo da mobilização é tratado de forma sutil e crítica, na medida em que destrói a felicidade do casal, sem qualquer redenção.

To the Shores of Tripoli (Defensores da bandeira, EUA, 1942, 85’, cor, drama, guerra) Direção: Bruce Humberstone. Com John Payne, Maureen O’Hara, Randolph Scott. Um playboy despreocupado (Payne) é enviado pelo pai ao seu amigo sargento (Scott) para que ele seja duro com ele e o faça um fuzileiro da Marinha dos EUA. O treinamento do sargento durão testa a paciência do recruta arrogante, mas à medida que este se integra na tropa seu egoísmo cede aos impulsos de bravura que estavam nele adormecidos: ele consegue “domar” uma tropa a base de sopapos e salva o sargento durão que, desacordado numa queda, estava ameaçado de ser atingido junto ao alvo do “tiro ao alvo” dos navios bombardeiros.

Paralelamente, ele conduz mal seu romance com a bela enfermeira-tenente (O’Hara) que se enamora dele, mas o evita por suas ambigüidades: assediada quando ele finge estar contundido após um atropelamento fingido (apenas para ser enviado à enfermaria), ela percebe a farsa e aplica, nas suas “contusões”, um emplasto de mostarda que o faz gemer de dor, no dia seguinte, com queimaduras no peito e nas costas – que ela desenhou em forma de V de Vitória – contorcendo-se com as pernas nuas amarradas em tipóias. O sadomasoquismo da enfermeira que assim demonstra sua independência parece justificado quando ela testemunha, conduzida a um estacionamento pelo playboy, outro marinheiro assediando uma garota comum no automóvel da frente.

Naquele local de namoros motorizados, a enfermeira e o playboy assistem passivos ao “estupro” da garota, que rejeitava os avanços do marinheiro até que este a beija com violência, fazendo-a assim ceder ao desejo estimulado. A enfermeira fica chocada enquanto o playboy sorri compreensivo e tenta fazer o mesmo com ela, mas a garota é firme em sua negativa e o playboy, ao contrário do outro marinheiro, desiste do “estupro” – ele está realmente apaixonado pela enfermeira. De volta da aventura, esta reflete: “Talvez eu precise ser psicanalisada!”.

Quando o treinamento termina, o playboy, que não conseguiu sexo no quartel e se sente traído pelo sargento durão, que conluia com seu pai, desiste da Marinha e volta para a vida civil junto à velha namorada, mas no carro os dois ouvem a notícia de Pearl Harbor. A garota não acredita naquilo e conclui, na melhor cena do filme: “Ah, já sei, é mais uma de Orson Welles…”. Confirmada a notícia, porém, o playboy salta do carro e, num acesso de patriotismo, se junta à tropa em desfile a caminho da embarcação, trocando de roupa em plena rua, protegido pelos marines: ele joga fora aos trajes de civil e enverga o uniforme, dizendo: “Send us more japs!” (“Mandem-nos mais japas!”). Indicado ao Oscar de Melhor Fotografia pelo seu belo Tecnicolor, o filme foi rodado com a colaboração da United States Marine Corps e contém cenas autênticas de treinamento em terra dos fuzileiros navais.

Bombardier (Bombardeio, EUA, 1943, p&b, guerra). Direção: Richard Wallace. Com Randolph Scott, Pat O’brien, Robert Ryan. O treinamento dos artilheiros da aeronáutica norte-americana mostrado em detalhes, evidenciando o surdo conflito, durante a guerra, entre os métodos tecnológicos norte-americanos e os métodos artesanais dos ingleses. Estes privilegiavam os pilotos que se arriscavam aproximando-se ao máximo fisicamente do alvo tendo apenas 30 segundos para bombardeá-lo e tentar escapar; mas eles eram facilmente detectados pelos radares, enquanto os bombardeiros americanos valorizavam os artilheiros treinados para acertar o alvo voando a oito mil pés de altitude, ao abrigo dos radares, e utilizando equipamentos avançados que incluíam uma nova mira ultra-secreta e cujo segredo era protegido pelo juramento da tropa de protegê-lo ao preço da própria vida.

Estes métodos mais eficientes trazem como conseqüência a desvalorização do piloto e certa facilitação ética: não correndo mais tantos riscos e não se aproximando tanto de seus alvos, os artilheiros podiam bombardear as cidades e suas populações com a consciência mais tranqüila. Apensa um recruta demonstra preocupações éticas, mas essas são sanadas quando o superior ensina-lhe a oração do bombardeio, jurando destruir apenas as fontes do mal – os alvos militares, fábricas de armamentos, etc. Contudo, como Dresde e Hiroshima provaram que nem sempre os artilheiros seguem suas orações à risca. A primeira seqüência do filme já o demonstra: os militares americanos, depois de assistir a um filme mostrando os Stukas em ação, elogiam a eficácia dos métodos nazistas de bombardeio e decidem superá-los em eficiência.  As cenas finais do bombardeio de Nagoya – em represália ao ataque a Pearl Harbor – são verdadeiramente impressionantes.

Thirty Seconds Over Tokyo (30 segundos sobre Tóquio, EUA, 1944, guerra). Com Spencer Tracy. Pilotar um gigantesco Mitchell B-25 carregado de bombas e fazê-lo pousar num porta-aviões em mar turbulento é, para as tripulações do 16 B-25s, missão rotineira de guerra. Com efeitos especiais premiados com o Oscar, o filme recria o sobrevôo em baixa altitude do esquadrão americano para bombardear o Japão a fim de levantar o moral americano após Pearl Harbor. O treinamento intensivo, o audacioso bombardeio e as aterrissagens forçadas na China são marcos da guerra, capturados pelo filme.

Objective Burma! (Um punhado de bravos, EUA, 1945, 142’ ou 128’, p&b, guerra). Direção: Raoul Walsh. Produção: Warner Bros. Roteiro: Ranald MacDougall, Lester Cole, Alvah Bessie. Música: Franz Waxman. Fotografía James Wong Howe. Com Errol Flynn, James Brown, William Prince, George Tobias, Warner Anderson, Henry Hull. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Major Nelson (Cooper) e seus homens são lançados de pára-quedas sobre a selva birmanesa, atrás das linhas inimigas, para destruir uma estação de radar japonesa. A perigosa e extenuante expedição através da selva e dos pântanos repletos de soldados inimigos se converte numa missão suicida. Há belos grandes planos dos rostos dos soldados, que vão morrendo aos poucos, mesmo depois de cumprida a difícil missão, pois o resgate deles na selva parece ser quase impossível.

Eles conseguem heroicamente destruir a estação e matar todos os japoneses que a protegiam, mas perdem a chance de serem resgatados no local e na hora combinados. Decidem então, famintos e desesperados no meio da selva, seguirem em dois grupos separados por caminhos diferentes, esperando a nova janela para o pouso do avião de resgate. Os que seguem na direção errada caem nas mãos dos inimigos. Quando o Major chega ao cativeiro em que aqueles haviam caído, encontra apenas corpos mutilados. Há, contudo, um sobrevivente para contar a história: “Passaram fogo na tropa, era como um matadouro. Nunca vi nada igual!”. Curiosamente, ele diz isso pouco depois de ter, com seus companheiros, passado fogo na tropa japonesa e transformado a estação de radar num matadouro. É que os japoneses não são considerados humanos: no filme, eles são chamados de “macacos”.

Contudo, há uma diferença importante: antes de serem mortos, os soldados norte-americanos foram selvagemente torturados, e seus corpos ficaram irreconhecíveis: “Foram todos cortados!”. Horrorizado, o jornalista exclama: “Eu sou jornalista há 40 anos e estou acostumado a ler de tudo – das câmaras de tortura da Idade Média aos crimes da máfia e dos linchamentos de hoje, mas isso é diferente! Uma barbárie feita por um povo que se diz civilizado! Mas são uns selvagens! Miseráveis! Desgraçados! Eliminem esse povo da face da Terra! Eliminem esse povo da face da Terra!”. Mais tarde, o jornalista não resiste à caminhada final até o resgate e morre. O major afirma: “Talvez agora ele saiba por que lutamos!”. Como o jornalista morto não pode saber de mais nada, a indireta é certamente dirigida preventivamente aos críticos nos jornais da época…

Enfim, a missão foi um sucesso, mas foi preciso pagar um preço bastante alto. Poucos do grupo conseguiram sobreviver. O Major conclui: “Veja o que a missão custou: um punhado de bravos!”. Realizado no final da guerra, o filme parece justificar o lançamento da bomba atômica sobre o Japão, através da exclamação absurda do jornalista, repetida duas vezes, na cena mais dramática: “Eliminem esse povo da face da Terra! Eliminem esse povo da face da Terra!”. Esse grotesco apelo ao genocídio justificou o bombardeio gratuito da população civil japonesa em Hiroshima e Nagasaki.

2. Filmes políticos: antinazismo e resistência

Poucos artistas engajaram-se no cinema antinazista conscientes de sua importância política: isso não impediu que muitos filmes antinazistas se tornassem clássicos do cinema, como: The Great Dictator (O grande ditador, 1940), de Charles Chaplin, a primeira denúncia direta no cinema de Hollywood do antissemitismo nazista; To Be or Not To Be (Ser ou não ser, 1942), de Ernst Lubitsch; Casablanca (Casablanca, 1942), de Michael Curtiz; ou Lifeboat (Um barco e nove destinos, 1944), de Alfred Hitchcock.

A maioria dos imigrantes alemães em Hollywood empregados nestes filmes era apolítica e fugia da Alemanha por sua condição judaica. Tendo que representar alemães e nazistas, eles viam seu trabalho com reticências, como um ganho-pão e até como algo de vergonhoso, uma “especialização” de suas competências profissionais, decorrente apenas de sua condição de imigrantes de língua alemã e não de seus talentos. Não se orgulhavam em Interpretar um nazista ou uma vítima alemã. Além disso, o filme antinazista, seguindo as leis do entretenimento, acabou por transformar-se num subgênero barato e cheio de clichês. Contudo, muitos dos cerca de 180 filmes antinazistas produzidos por Hollywood projetaram uma visão do nazismo muito mais próxima de sua verdadeira essência do que alguns autores alemães hoje querem nos fazer crer com a idéia de que eram meros “filmes de propaganda”, cheios de clichês sobre os “alemães maus e burros”.

Filmografia

Hitler – Beast of Berlin / Hell’s Devils (EUA, 1939, p&b, drama). Direção: Sam Newfield. Com Roland Drew (Hans Memling), Steffi Duna (Elsa Memling), Greta Granstedt (Anna Wahl), Alan Ladd (Karl Bach). Pioneiro filme antinazista, anterior à produção oficial de propaganda, mostrando torturas em campos de concentração alemães. URL: http://www.imdb.com/title/tt0031427/trivia?tr0629925.

Ministry of Fear (Quando desceram as trevas, EUA, 1939, p&b, espionagem). Direção: Fritz Lang.

The Great Ditactor (O Grande Ditador, EUA, 1940, 124′, p&b, comédia). Direção: Charles Chaplin. Com Charles Chaplin, Henri Daniell. Em meio a uma Guerra Mundial, judeus são perseguidos num país imaginário dominado por um Grande Ditador, que recebe a visita de um Ditador rival de outro país imaginário. Chaplin interpreta dois papéis: o do Grande Ditador Adenoid Hynkel e o de um barbeiro judeu que acaba sendo confundido com aquele, por serem fisicamente muito parecidos, usando especialmente o mesmo bigodinho. Uma obra-prima que o tempo não consegue envelhecer.

The man I married (EUA, 1940, p&b, espionagem). Direção: Irving Pichel.

Foreign Correspondent (Correspondente internacional, EUA, 1940, 120’, p&b, suspense). Direção: Alfred Hitchcock. Produzido antes da política governamental de engajamento do cinema, o filme demonstra o engajamento pessoal de Hitchcock no esforço de guerra ao nazismo. Assim como Charles Chaplin, Anatole Litvak, Fritz Lang, entre outros, Hitchcock era um cineasta antinazista consciente e combativo.

The Mortal Storm (Tempestades d’alma, EUA, 1940, 100’, drama). Direção: Frank Borzage. Vivendo numa pequena cidade dos Alpes alemães, o professor universitário Viktor Roth (Frank Morgan) e sua família “não ariana” são surpreendidos com a ascensão de Hitler ao poder. Martin Brietner (James Stewart), amigo dos Roth, é dos poucos alemães da cidade que não aderem ao nazismo. A filha Freya (Margaret Sullavan) rompe o noivado com Fritz Marberg (Robert Young), novo entusiasta de Hitler, e aproxima-se cada vez mais de Martin. As pressões contra os “não arianos” crescem em toda parte. O filme evita mencionar a palavra “judeu”, substituindo-a por “não ariano”. Mas é um dos mais corajosos filmes produzidos em seu tempo, assumindo o antinazismo antes mesmo que os EUA entrassem na guerra, o que som ocorreu após o ataque a Pearl Harbor em 1941. Uma das melhores seqüências é quando a empregada ariana dos Roth entra na sala de jantar após ouvir as últimas transmissões do rádio: “Dr. Roth, acabo de ouvir uma notícia maravilhosa: Hitler tomou o poder!”. O filme tem início com um céu de nuvens carregadas, que se tornam negras, anunciando uma tempestade, enquanto o narrador discursa: When man was new upon the earth, he was frightened by the dangers of the elements. He cried out, “The gods of the lightning are angry, and I must kill my fellow man to appease them!” As man grew bolder, he created shelters against the wind and the rain and made harmless the force of the lightning. But within man himself were elements strong as the wind and terrible as the lightning. And he denied the existence of these elements, because he dared not face them. The tale we are about to tell is of the mortal storm in which man finds himself today. Again he is crying, “I must kill my fellow man!” Our story asks, “How soon will man find wisdom in his heart and build a lasting shelter against his ignorant fears?”

Four sons (EUA, 1940, p&b. drama). Direção: Archie Mayo.

Man Hunt (O homem que queria matar Hitler, EUA, 1941, 105’, p&b. drama, espionagem). Direção: Fritz Lang. Com Walter Pidgeon, Joan Bennett, George Sanders.

Sergeant York (EUA, 1941, p&b. drama, guerra). Direção: Howard Hawks.

Ends Our Nigh (EUA, 1941, p&b, drama, guerra). Direção: John Cromwell. Roteiro: Talbot Jennings, baseado na novela Flotsam, de Erich Maria Remarque. O filme acompanha a saga de fugitivos do nazismo através da Europa. URL: http://www.imdb.com/title/tt0034208.

Berlin Correspondent (EUA, 1942, p&b, espionagem). Direção: Eugene Forde. Um bravo radialista (Dana Andrews) transmite da Alemanha nazista. URL: http://www.imdb.com/title/tt0034507.

Once upon a honeymoon (EUA, 1942, p&b, drama). Direção: Leo McCarey.

Casablanca (Casablanca, EUA, 1942, p&b, drama). Direção: Michael Curtiz. Roteiro: Julius e Phillip Epstein e Howard Koch, baseado na peça Everybody Goes to Rick’s, de Murray Burnetf e Joan Alison. Uma mulher (Bergman) tem de optar entre a vida do marido, membro Resistência húngara, recém-fugido de um campo de concentração, e o amor de um velho amante (Bogart), agora proprietário do Rick’s Café Americain. Ponto de encontro das autoridades, dos jogadores, dos ladrões e também dos fugitivos do terror nazista à procura de um visto para a vida, o café torna-se o centro de Casablanca, onde todos os personagens se encontram antes de terem seus destinos decididos. A seqüência em que os freqüentadores do Café Americain se levantam para cantar a Marselhesa, calando os alemães que haviam iniciado um canto nazista é das mais emocionantes de toda a história do cinema. URL: http://filmfanatic.org/reviews/?p=5660.

Hitler – Dead or Alive(EUA, 1942, 71’, p&b, espionagem). Direção Nick Grinde. Produção: Ben Judell. Roteiro: Karl Brown e Sam Newman. Com Ward Bond, Dorothy Tree, Warren Humer, Paul Fix, Russel Hicks, Bruce Edwards, Felix Basch, Bob Watson, Frederick Giermann, Kennetrh Harlan, Faye Wall. Um milionário cientista alemão refugiado nos EUA coloca um anúncio nos jornais oferecendo um milhão de dólares para quem ousar penetrar clandestinamente na Alemanha para matar Hitler. Três gânsgers que acabam de sair da prisão de Alcatraz aceitam a oferta. O trio liderado por Steve Maschik (Ward Bond) inclui ‘Dutch’ Havermann (Warren Hymer) e o ‘cérebro’ Joe ‘The Book’ Conway (Paul Fix). Eles se juntam à Força Aérea Canadense e saltam de pára-quedas a poucos quilômetros do quartel-general de Hitler em Berlim. Tentam aproximar-se de Hitler anunciando terem a missão de entregar-lhe diretamente uma mensagem secreta do Presidente dos EUA. Mas são detidos para averiguações. Conseguem escaper vestindo uniformes nazistas e, com a ajuda de uma líder da Resistência Alemã, que assumiu o papel de amante de um SS, eles conseguem penetrar num concerto que contava com a presença do Führer. Como pairam dúvidas sobre quando Hitler é ele mesmo – ele sempre pode ser um sósia – o trio decide raptá-lo ao invest de matá-lo ali mesmo. Para saber se o raptado é o verdadeiro Hitler – que tem um cicatriz sob o bigode –, levam-no para o esconderijo da Resistência, sob uma escada móvel da mansão da amante do SS. Com indisfarçavel prazer, Maschik tira a prova, raspando o bigode de Hitler: a cicatriz é encontrada sob o tufo de pelos. O gângster aproveita a vulnerabilidade do Führer, que geme sob a navalha, para cortar também o seu famoso topete. Logo em seguida, a Gestapo descobre o esconderijo e explode a célula, levando todos para a prisão. Em vão o Führer se debate ordenando que seja solto, pois é Hitler e não um membro do grupo: os homens da Gestapo não acreditam, pensam tartar-se de um louco, em nada parecido com Hitler – e o Führer é assim fuzilado pelas tropas SS como se fôra um membro enlouquecido da Resistência. O Hitler que continuava vivo, assombrando o mundo de então, não era o verdadeiro, mas um sósia do Führer… Esse bom roteiro poderia ter se tornado um clássico do filme antinazista caso tivesse tido melhor produção e direção. A trama do atentado contra Hitler foi inspirada no atentado de dois tchecos patriotas que, em 1942, desceram de pára-quedas em Praga para matar Reinhart Heydrich, o “Protetor” da Boêmia responsável pela Solução Final. O carro que conduzia Heydrich foi explodido. Em represália ao assassinato, os alemães destruíram duas aldeias e mataram centenas de pessoas, razão pela qual os aliados desistiram dos planos de matar outros líderes nazistas, incluindo o próprio Hitler. Fritz Lang imaginou um atentado a Hitler em Man Hunt (O homem que quis matar Hiter, 1941) e recriou o atentado a Heydrich em Hangmen Also Die (Os carrascos também morrem), atentado este abordado também por Douglas Sirk em Hitler’s Madman (O capanga de Hitler, 1942). Infelizmente Hitler, Dead or Alive não teve nem o cuidado de disfarçar sua precariedade, que vai da escalação de atores ruins aos incontornáveis problemas de linguagem, com os personagens alemães falando corentemente o inglês para que os gângsters americanos pudessem comunicar-se com eles sem problemas. No final, os gângsters são considerados como heróis nacionais. O uso de personagens ex-criminosos que se convertem em patriotas na luta contra o Eixo foi uma derivação do filme noir, em filmes como All Through the Night (Balas contra a Gestapo (1941), de Vincent Sherman, com Humphrey Bogart e Conrad Veidt; e This Gun For Hire (Alma torturada, 1942) e Lucky Jordan (1942), ambos de Frank Tuttle, estrelados por Alan Ladd. Cabe destacar, deste amontoado de equívoscos, a excelente personificação de Hitler por Bobby Watson. URL: http://www.imdb.com/title/tt0034857.

Mrs. Minniver (Rosa da esperança, EUA, 1942, p&b, drama, guerra). Direção: William Wyler.

Nazi Agent (EUA, 1942, p&b, espionagem). Direção: Jules Dassin.

Saboteur (Sabotador, 1942, p&b, espionagem). Direção: Alfred Hitchcock.

The Devil with Hitler (EUA, 1942, 44’, p&b). Direção: Gordon Douglas. Hitler, interpretado por Bobby Watson (como em outros filmes antinazistas), recebe a visita de um emissário de Satã, que desce à Terra para tentar convencê-lo a fazer uma boa ação antes de ir ao inferno. URL: http://www.imdb.com/title/tt0034651.

The Gorilla Man (EUA, 1942, p&b, espionagem). Dois nazistas tentam passar-se por médicos ingleses e espionar os EUA.

The Pied Piper (Os abandonados, EUA, 1942, 87’, p&b). Direção: Irving Pichel. Com Monty Woolley, Roddy McDowall, Otto Preminger, Peggy Ann Garner, Anne Baxter, Marcel Dalio. Uma comédia de humor negro. Howard (Monty Woolley) é um cidadão britânico que se encontra na França quando este país é ocupado pelos nazistas em 1940. Tenta voltar para casa, mas não consegue. Ele acaba se integrando a uma missão da Liga das Nações para salvar crianças e consegue viajar levando consigo Ronnie (Roddy McDowall) e Sheila (Peggy Ann Garner), embora não goste de crianças e de Ronnie em particular. A viagem se complica e inclui Nicole Rougeron (Anne Baxter), que teve um breve romance com Howard e cujo filho, um piloto da RAF, foi vitimado. Apesar da ajuda de Foquet (Marcel Dalio), eles são capturados pelos nazistas. O filme faz referências a campos de concentração e ao antissemitismo: o filme observa uma jovem judia loira e de olhos azuis não sobrevive na Alemanha nem na França ocupada. Major Diessen (Otto Preminger) que captura Howard e seus acompanhantes não é pintado como um monstro sádico, mas como um ser humano que acredita na sua missão e isso o torna ainda mais terrível: acreditando que Howard é um espião, ele tortura o inglês e também as crianças a fim de obter a “verdade”.   Roteiro: Nunnally Johnson, com base na nevela de Nevil Shute. O filme foi indicado para três Oscars: Filme, Fotografia em P&B (Edward Cronjager) e Ator (Woolley), mas não ganhou nenhum. URL: http://www.imdb.com/title/tt0035189.

Tulips Shall Grow (EUA, 1942, 6’59’’, cor, animação, guerra). Direção: George Pal. Espetacular animação de propaganda antinazista, Jan e Jeanete vivem inocentes e apaixonados numa idílica paisagem holandesa, com moinhos e tulipas. Mas esse mundo de sonho é destruído com a chegada de um monstruoso exército de parafusos que não deixa pedra sobre pedra. Evocando a hecatombe do bombardeio de Rotterdam a 14 de maio de 1940, que matou 1.000 civis e deixou 78.000 desabrigados, com 2,6 quilômetros quadrados do belíssimo centro urbano da medieval cidade portuária reduzido a pó, a animação envia ao mesmo tempo uma mensagem de esperança ao povo holandês: o famoso “V” da Vitória é estampado pelas nuvens no céu, depois que uma tempestade se abate sobre o exército de parafusos, enferrujando seus tanques, aviões bombardeiros e o general metálico, que terminam por se dissolver na terra. Apesar de toda a destruição, as tulipas voltarão a crescer… Tulips shall always grow – tulipas sempre crescerão – estampa o letreiro final.

Miss V From Moscow (EUA, 1942, 66’, p&b, espionagem). Direção: Albert Herman. Com Lola Lane, Noel Madison.

To Be or Not to Be (Ser ou não ser, EUA, 1942, 99’, p&b, comédia). Direção: Ernest Lubitsch.

They Raid by Night (EUA, 1942, 73’, p&b, espionagem) . Direção: Spencer Gordon Bennet. Com Lyle Talbot, Paul Baratoff, George Nesie, Charles Rogers, June Duprez, Victor Varconi. O Comando Britânico envia Bob Owen (Talbot) à Noruega para preparar um ataque aéreo. Sua missão inclui a libertação do General Heden (Baratoff) das garras dos nazistas. É ajudado na misssão por Eric Falken (Nesie) e Harry (Rogers). A norueguesa Inga (Duprez), ex-noiva de Falken, agora amante de Oberst Von Ritter (Varconi) trai seu esconderijo. Os três assaltam homens da Gestapo, roubam seus uniformes e conseguem entrar no campo de prisioneiros e libertar Heden. Os quatro devem agora encontrar com a expedição do Comando.  Inga, em quem o grupo confia, informa von Ritter, e Falken é capturado, mas Bob e Harry escapam com a ajuda de Dalberg, que eles pensavam estar sendo forçado a espionar. O filme integrou uma série de lançamentos da mesma época sobre a Resistência Norueguesa, incluindo Commandos Strike at Dawn (1942); First Comes Courage (1943) e Edge of Darkness (1943).

Watch on the Rhine (Horas de tormenta, EUA, 1943, 114’, p&b, drama). Direção: Hermann Shumlin, baseado numa peça de Lillian Helmann, adaptada para o cinema por Dashiel Hammett. Todos os atores, de Paul Lukas a Geraldine Fitzgerald, estão esplêndidos, mas Bette Davis supera a todos com a determinação de sua personagem de esposa e mãe de família que aceita o sacrifício dos seus graças a um idealismo empedernido e sublime. Os heróis são refugiados alemães na América, que vão parar na casa de infância da mulher, uma filha rebelde que rompeu há quinze anos com a família milionária para casar-se com o jovem engenheiro alemão, que logo decidiu abandonar sua profissão ao assistir a um massacre promovido pelos camisas marrons, tornando-se um “antifascista profissional”, como afirma várias vezes ao longo do filme, que joga sutilmente com as palavras, sem conseguir esconder o tom inciatório: na postura extremamente disciplinada das crianças, na conversa secreta entre pai e filho sobre o chamado que espera cada nova geração, nas entrelinhas de todos os diálogos políticos, fica claro que a família refugiada, que se afirma antifascista, é na verdade uma família comunista que, na luta contra o fascismo, não hesita em sacrificar a felicidade individual seguindo cegamente as determinações do Partido. O stalinismo latente do texto de Hellmann e Hammett – então amantes que transmitem sua comovente idéia de amor total aos personagens do filme – não deixa de brilhar ao ser encenado e filmado em plena luta contra o nazismo. É um dos menos conhecidos e dos mais emocionantes filmes antinazistas produzidos em Hollywood – ainda livre do macartismo.

This Land is Mine / Vivre Libre (Esta terra é minha, EUA, 1943, p&b, drama). Direção: Jean Renoir. Com Charles Laughton, Una O’Connor, Maureen O’Hara, George Sanders, Kent Smith. Durante a Ocupação de Paris, Albert Lory (Laughton), um feioso professor, maduro e pacato, que ainda vive com a mãe dominadora (O’Connor), mostra-se secretamente apaixonado pela colega de escola: a bela, jovem e ousada Louise Martin (O’Hara), cujo pretendente (Sanders) é um inescrupuloso empresário da companhia ferroviária que colabora com os alemães. A professora ainda não sabe, mas seu irmão Paul (Smith), empregado da companhia, que ela imagina um “traidor”, entrou para a Resistência. Após um atentado, cometido por Paul, Albert é preso com outros reféns até que se descubra o verdadeiro “terrorista”. Alucinada, a mãe de Albert revela ao Prefeito as atividades suspeitas de seu vizinho, e obtém assim a soltura do filho. Louise pensa que Albert denunciara seu irmão. O professor descobre o erro terrível da mãe e espera ser julgado, pois no Tribunal pode dizer toda a verdade, não apenas sobre o crime, mas também sobre os horrores da Ocupação. Levado pelo turbilhão da História, o “covarde” professor torna-se então um herói que, mesmo inocentado pelos jurados, será fuzilado pelos alemães. Antes de ser fuzilado, em sua última aula, ele lê para os alunos a Declaração dos Direitos Universais do Homem, leitura interrompida pela chegada da Gestapo, mas que a professora, após selar com um beijo o adeus ao colega, retoma com raiva e orgulho, como uma lição de Resistência. Este belíssimo filme antinazista de Renoir, escrito por Dudley Nichols [1], foi mal recebido pela crítica, mas pode ser hoje colocado entre os mais brilhantes exemplares da propaganda no cinema. O apelo à Resistência, em plena Ocupação da França, não recua diante de nenhuma consideração legalista – os atentados são justificados sem restrições. O antissemitismo é denunciado pela exaltação do Professor Sorel (Philip Merivale), intelectual engajado que redige panfletos clandestinos conclamando à Resistência e cuja execução determina a conversão do Professor Lory de sua existência conformista a uma ação de martírio que dá sentido à sua vida até então insignificante. NOTA: [1] Roteirista de clássicos como The Informer (O informante, 1935), de John Ford; Bringing Up Baby (Levada da breca, 1938), de Howard Hawks; Stagecoach (No tempo das diligências, 1939), de John Ford; Gunga Din (Gunga Din, 1939), de George Stevens; Man Hunt (1941) e Scarlet Street (1945), de Fritz Lang.

First Comes Courage (EUA, 1943, p&b, espionagem). Direção: Dorothy Arzner. Com Merle Oberon. Uma resistente antinazista (Merle Oberon) tem um caso com um major alemão (Carl Esmond) e passa informações vitais para os resistentes noruegueses. Quando o superior do major começa a suspeitar da relação dos dois, um agente britânico (Brian Aherne), ex-amante da espiã, é enviado para matar o major alemão.  Último filme da pioneira cineasta Dorothy Arzner. URL: http://filmfanatic.org/reviews/?p=5305.

Five Graves to Cairo (EUA, 1943, p&b, guerra). Direção: Billy Wilder. Roteiro: Charles Brackett e Wilder, baseado na peça Hotel Imperial, de Lajos Birô. Por obra do acaso, os ingleses conseguem descobrir o depósito de munições das forças inimigas e provocar a derrota do marechal-de-campo Rommel no norte da África.

Good Luck, Mr. Yates (EUA, 1943, p&b, espionagem). Direção: Ray Enright. Com Claire Trevor (Ruth Jones), Jess Barker (Oliver Yates), Edgar Buchanan (Jonesey Jones), Tom Neal (Charlie Edmonds), Albert Bassermann (Dr. Carl Hesser). URL: http://www.imdb.com/title/tt0035949.

Hangmen Also Die (Os carrascos também morrem, EUA, 1943, 134’, p&b, drama, suspense, espionagem). Direção: Fritz Lang.

Hitler’s Children (Os filhos de Hitler, EUA, 1943, 82’, p&b, drama). Direção: Edward Dmytryk. Roteiro baseado no livro Education for Death, de Gregor Ziemer. Com Tim Holt. O filme enfoca a política adotada pelos nacional-socialistas em relação à infância, com vistas a incentivar a “produção de crianças”.

Hitler’s Madman (O capanga de Hitler, EUA, 1943, 84’, p&b, drama). Direção: Douglas Sirk. Produção: Seymour Nebenzal (o produtor de M) / PRC filmes. De baixo orçamento, é o primeiro filme que Douglas Sirk, casado com uma atriz judia, dirigiu em Hollywood, depois de fugir da Alemanha, onde realizara filmes nazistas. O filme conta o episódio do massacre de civis em Lidice, em represália ao assassinato de Heydrich na Tchecoslováquia. URL: http://filmfanatic.org/reviews/?p=4638; http://www.imdb.com/title/tt0036005.

That Nazty Nuisance (EUA, 1943, fantasia): continuação de The Devil with Hitler (1942).

The Strange Death of Adolf Hitler (EUA, 1943, fantasia). Direção: James Hogan. Um dos mais interessantes filmes antinazistas, escrito pelo grande ator do teatro e do cinema alemão Fritz Kortner e pelo veterano produtor Joe May, produzido por Ben Pivar, e onde um oficial vienense sem importância, vivido por Ludwig Donath, é transformado num dublê de Hitler. URL: http://www.imdb.com/title/tt0036393.

This is the Army (EUA, 1943, cor, musical, guerra). Direção: Michael Curtiz. Com George Murphy, Joan Leslie. Durante a Primeira Guerra, o dançarino Jerry Jones monta um show só com soldados na Broadway intitulado Yip Yip Yaphank. Wounded in the War, e se torna um produtor. Na Segunda Guerra, seu filho Johnny Jones, que fora assistente do pai, decide montar novo show, chamado This is the Army. Apesar do sucesso, ele tem problemas na vida pessoal, porque se recusa a desposar sua noiva antes que a guerra termine. No primeiro show, enquanto os soldados-artistas cantam a canção patriótica de Irving Berlin, “We’re on Our Way to France!”[1], eles são convocados e saem do palco, atravessando a platéia rumo à França enquanto namoradas, esposas e mães se despedem deles, chorosas, mas otimistas com os gritos deles de “Dont worry!”[2]. Ao longo de diversos números musicais, é destacada a participação dos soldados negros, com a presença de Olive Drab num espetacular sapateado[3] e são homenageados a Marinha[4] e os pilotos dos aviões bombardeiros[5]. No final, em grandiosa coreografia que deve muito à “estética fascista”, com gigantescas efígies de Águia e Tio Sam ao fundo, a massa de soldados-artistas canta “This Time”[6], prontos para partir para a Segunda Guerra[7], que anunciam, esperançosos, ser a última. NOTAS:  [1] “Old Hoboken is bent and broken / From soldiers marching on her pier / While you slumber, a great big number / Of soldiers disappear / To the millions of brave civilians / That we are leaving over here / We say / Day day / Give us a parting cheer / [Refrain:] / We’re on our way to France / There’s not a minute to spare / That’s why / For when the Yanks advance / You bet we wanna be there / Goodbye.” [2] Clipe: http://www.youtube.com/watch?v=34m5SPPZXQc&feature=related. [3] Clipe: http://www.youtube.com/watch?v=ZyUsm4Cv4IY&feature=related. [4] Clipe: http://www.youtube.com/watch?v=3FpsaBqF4sU&feature=related. [5] Clipe: http://www.youtube.com/watch?v=BWMiA_UAj3c&feature=related. [6] “Twas not so long ago we sailed to meet the foe / And thought our fighting days were done / We thought ‘twas over then but now we’re in again / To win the war that wasn’t won  [Refrain:] This time, we will all make certain / That this time is the last time  / This time, we will not say “Curtain” / Till we ring it down in their own home town / For this time, we are out to finish / The job we started then / Clean it up for all time this time / So we won’t have to do it again / Dressed up to win / We’re dressed up to win / Dressed up for victory / We are just beginning / And we won’t stop winning / Till the world is free / [Coda:] We’ll fight to the finish this time / And we’ll never have to do it again.” [7] Clipe: http://www.youtube.com/watch?v=150hLZPeYqg&feature=related.

Women in Bondage (EUA, 1943, drama). Direção: Steve Sekele. A degradação das mulheres no ‘Terceiro Reich’. URL: http://www.imdb.com/title/tt0036545.

Hostages (EUA, 1943, drama). Direção: Frank Tuttle. baseado na novela de Stefan Heym, membros da Resistência em Praga são presos sob a acusação de terem assassinado um oficial nazista. Entre eles, há um oficial colaboracionista. Mesmo depois de provado que o oficial cometeu suicídio, a Gestapo faz parecer que se tratou de assassinato, para confiscar sua fortuna. URL: http://www.imdb.com/title/tt0036017.

Education for Death (Educação para a morte, EUA, 1943, 10’, animação, cor, antinazismo, CM). Direção: Clyde Geronimi.

Nine Men (Inglaterra, 1943, 64’, p&b, guerra). Com Jack Lambert, Bill Blewitt, Giulio Finzi, Fred Griffiths, Jack Horsman, Gordon Jackson. Um sarjento inglês (Lambert) e seus oito, aquartelados num forte no deserto do Líbano, durante a campanha da África, devem resistir ao assalto das tropas italianas. Sem orçamento para grandes batalhas, o filme se concentra na tensão psicológica e na interpretação dos nove atores que encarnam os nove homens do drama.

Northern Porsuit (Perseguidos, EUA, 1943, 93’, p&b, drama, espionagem). Direção: Raoul Walsh. Com Errol Flynn, Julie Bishop, Helmut Dantine, John Ridgely, Gene Lockhart.

The Mysterious Doctor (EUA, 1943, 57’, p&b, fantasia). Direção: Benjamin Stoloff. Produção: Warner / William Jacobs. Roteiro: Richard Weil. Fotografia: Harry Sharp. Edição: Clarence Kolster. Com John Loder (Sir Henry Leland), Eleonor Parker (Letty Carstairs), Bruce Lester (Tenente Christopher Hilton), Lester Matthews (Dr. Frederick Holmes). Numa pequena cidade inglesa nas montanhas um misterioso estrangeiro passeia com seu monstro, até que os aldeões descobrem tratar-se do espírito de um nazista sem cabeça.

Aventure malgache (EUA, 1944, p&b, espionagem, MM). Direção: Alfred Hitchcock.

Bon Voyage (EUA, 1944, p&b, espionagem, MM). Direção: Alfred Hitchcock.

Enemy of Women (EUA, 1944, p&b, drama). Direção: Alfred Zeisler. A história do Dr. Goebbels. URL: http://www.imdb.com/title/tt0036791.

Lifeboat (Um barco e nove destinos, EUA, 1944, p&b, espionagem). Direção: Alfred Hitchcock.

Ministry of Fear (Quando desceram as trevas, EUA, 1944, 86’, p&b, espionagem). Direção: Fritz Lang.

None Shall Escape (Ninguém escapará ao castigo, EUA, 1944, 85’, p&b, drama). Direção: André De Toth. Produção: Columbia. Roteiro: Lester Cole. Argumento: Alfred Neumann. Com Marsha Hunt (Marja Pacierkowski), Alexander Knox (Wilhelm Grimm), Henry Travers (Father Warecki), Erik Rolf (Karl Grimm), Richard Crane (Willie Grimm as a man), Dorothy Morris (Janina Paeierkowski), Richard Hale (Rabino David Levin), Ruth Nelson (Alice Grimm), Kurt Kreuger (Lt. Gersdorf), Shirley Mills (Anna Oremska), Elvin Field (Jan Stys quando criança), Trevor Bardette (Jan Stys quando adulto), Frank Jaquet (Dr. Matek), Ray Teal (Oremski), Art Smith (Stys). Indicado ao Oscar. O filme revela as atrocidades nazistas antes do fim da guerra, quando os campos foram abertos e toda a verdade sobre o Holocausto chegou aos meios de comunicação. É de todos os filmes antinazistas o filme mais realista. A ação começa num tribunal do futuro após a guerra (prevendo a vitória aliada, que se deu em maio de 1945 e o Tribunal de Nuremberg, que foi constituído em 1946). O nazista Wilhelm Grimm não se arrepende de seus crimes e é confrontado com o testemunho de suas vítimas sobreviventes e de seus comparsas, que recordam sua vida desde 1919, numa série de flashbacks. Mas esses não justificam as ações de Grimm, que aparece tal como é: um monstro sádico. Isso inclui uma antecipatória seqüência em que judeus são exterminados. Lamentavelmente o filme – primeiro filme dramático sobre o julgamento de criminosos de guerra – não foi lançado nem em VHS nem em DVD.

Passaport to Destiny (EUA, 1944, p&b, drama). Roteiro: Val Burton e Muriel Roy Bolton. Uma londrina (Elsa Lanchester) consegue penetrar na Alemanha nazista e tentar matar Hitler.

The Hitler Gang (EUA, 1944, p&b, drama, drama, histórico). Direção: John Farrow. A ascensão de Hitler entre 1918 e 1934, é uma verdadeira aula de História. Do hospital militar no qual o desconhecido soldado Adolf Hitler padece, cego, de um ataque de gás durante a Primeira Guerra à formação do NSDAP; da tomada do poder à Noite das Facas Longas; do episódio da sedução e “suicídio” da sobrinha Geli Rauber à nazificação das escolas; da formação das grandes máquinas de guerra à ambição da conquista do mundo, o filme escrito por Francis Goodrich e Albert Hackett baseia-se inteiramente em fatos históricos. A semelhança dos atores – Robert Watson, Roman Bohnen, Martin Kosleck, Victor Varconi, Luis van Rooten, Alexander Pope, Ivan Triesault, Poldy Dur, Helen Thimig, Reinhold Schunzel e Fritz Kortner – com os personagens reais que representam – Hitler, Hess, Goering, Goebbels, Himmler, Geli, Angela Hitler, Hindenburg, Ludendorf e Strasser – é impressionante. Especialmente Hitler, Hess e Goering são “clones” perfeitos. O que no filme pode parecer uma caricatura forçada – a covardia e fraqueza de Hitler no golpe de Munique e na Noite das Facas Longas; a paixão homossexual que Hess  demonstra pelo Führer – são fatos comprovados. É incrível que os produtores tenham conseguido reunir em tão pouco tempo tantos dados corretos sobre a ascensão de Hitler e seu regime, dados que os historiadores ainda hoje pesquisam para provar com documentos. URL: http://www.imdb.com/title/tt0036921.

The Seventh Cross (A sétima cruz, EUA, 1944, 110’, p&b, drama). Direção: Fred Zinemann. Com Spencer Tracy, Signe Hasso, Hume Cramyr, Jessica Tandy. Fotografado pelo grande Karl Freund, e escrito por Helen Deutsch, com base no romance homônimo de Anna Seghers, é um dos melhores filmes antinazistas. Em 1936, sete prisioneiros fogem do campo de concentração Westhofen. O comandante do campo manda erguer sete cruzes, onde os fugitivos deverão ser pregados depois de capturados. São caçados um a um, e um deles, desesperado, acaba mesmo se entregando. O filme inteiro é narrado pelo primeiro fugitivo, agarrado e morto na primeira seqüência pelos guardas, ou seja, o filme traz o ponto de vista de sua alma que voa para o alto e acompanha o destino dos companheiros, especialmente do último, Spencer Tracy, apostando na sua salvação. Essa técnica revolucionária da narração-fantasma fora usada em The Human Comedy (A comédia humana, 1943), de Clarence Brown, e será consagrada em Sunset Blvd. (O crepúsculo dos deuses, 1950), de Billy Wilder. Durante a fuga, Tracy vivencia situações reveladoras de como o medo e o conformismo mudaram a Alemanha. Não há mais para onde fugir. Nem sua ex-namorada (Jessica Tandy) é capaz de ajudá-lo: ela se converteu ao nazismo. As forças da ordem, as crianças, toda a população transformou-se em colaboradora ativa ou passiva. Um velho amigo operário, que parecia satisfeito com o regime, mas que passa a perceber como havia sido iludido pela propaganda, ajuda Spencer Tracy por alguns dias. Mas depois que ele é preso e torturado, permanecer em sua casa é colocar sua família sob a mesma ameaça. Se houvesse um ser humano na Alemanha capaz de ajudar o fugitivo, a esperança não estaria perdida. Então, quando a sétima crucificação parece inevitável, o fugitivo encontra uma desconhecida dona de estalagem que por ele se apaixona, e sem medir as conseqüências de seu ato, ajuda-o a sair do país.

Voice in the Wind (EUA,  1944, drama). Direção: Arthur Ripley. Um músico que fugiu da Alemanha nazista tenta, ainda traumatizado, recuperar sua memória.

Cloak and Dagger (O grande segredo, 1945, p&b, drama, espionagem). Direção: Fritz Lang. Roteiro: Albert Maltz e Ring Lardner Jr., baseado numa historia de Boris Ingster e John Larkin. Membros da Resistência italiana ajudam um físico americano a estabelecer contato com um colega alemão, impedindo o desenvolvimento da bomba atômica na Alemanha, durante a guerra.

Escape in the Fog (EUA, 1945). Direção: Budd Boetticher.

Nazi Concentration Camps (EUA, 1945, p&b, doc). Direção: George Stevens. Registro da abertura dos campos de concentração na Alemanha. Suas imagens gráficas documentam o estado dos prisioneiros dos campos, vítimas sobreviventes do Holocausto. O filme serviu de prova A para os crimes contra a humanidade perpetrados pelos carrascos nazistas no julgamento das lideranças do ‘Terceiro Reich’ no Tribunal de Nuremberg.

Hitler Lives (EUA, 1945, 17’, p&b, CM). Direção, Roteiro: Saul Elkins. Oscar de Melhor Documentário de Curta Metragem. URL: http://www.imdb.com/title/tt0034857.

Why We Figth (EUA, 1942-1945, p&b, doc). Série de documentários produzidos pelo Departamento de Guerra dos EUA. Inclui: Know Your Enemy: Germany (EUA, 1945, doc). Direção: Frank Capra.

Notorius (Interlúdio, EUA, 1946, p&b, espionagem). Direção: Alfred Hitchcock.

13 Rue Madeleine (EUA, 1946, p&b, espionagem, antinazismo). Direção: Henry Hathaway.

As co-produções EUA-URSS

Muitos críticos hoje condenam as poucas co-produções EUA-URSS – especialmente os raros filmes americanos “pró-soviéticos” realizados durante a guerra: Mission to Moscow (1943), de Michael Curtiz; The North Star (1943), de Lewis Milestone; Song of Rússia (1944), de Gregory Ratoff; Days of Glory (Quando a neve voltar a cair / Dias de glória, 1944), de Jacques Tourneur; Counter-Attack (1945), de Zoltan Korda. São destacadas as mentiras sobre as supostas “liberdades democráticas” do regime de Stalin ou sobre a alegre vida que se levava na URSS, como bem observou, por exemplo, a escritora e filósofa Ayn Rand. Contudo, o ponto forte desses filmes é sua mensagem antinazista: afinal, era do interesse de toda a humanidade que a URSS estivesse aliada aos EUA no contexto da guerra. E, neste contexto, esses filmes de compromisso encontraram sua razão de ser.

Mission to Moscow (EUA, 1943, p&b, drama). Direção: Michael Curtiz. Jack Warner apoiava a FDR e Roosevelt pediu-lhe que realizasse um filme baseado no livro publicado em 1941 por Joseph E. Davies, embaixador americano na URSS entre 1936 e 1938.

The North Star (EUA, 1943, p&b, drama). Direção: Lewis Milestone.

Song of Russia (Canção da Rússia, EUA, 1944, p&b, drama). Direção: Gregory Ratoff. O mais famoso filme da colaboração EUA-URSS, que Ayn Rand denunciou como propaganda comunista em Hollywood durante as comissões de inquérito do macarthismo: “O filme mostra os russos felizes, mas na Rússia ninguém sorri”, ela observou, tendo conseguido exilar-se nos EUA após viver os horrores da revolução. Um livro recente analisa seu testemunho: Ayn Rand and ‘Song of Russia’: Communism and Anti-Communism in 1940s Hollywood, de Robert Mayhew (Lanham: Scarecrow Press, 2004). Apesar de muito criticada pela esquerda, Ayn Rand tem razão: é grotesco ver como os camponeses na Rússia stalinista do filme passam a vida a sorrir, cantar e dançar.

O comunismo soviético é mostrado no filme como um paraíso na Terra. E não faltam ecos da estética local do realismo socialista: o elogio do trator, o elogio do enorme grão de trigo, o elogio do maravilhoso caminhão importado de Detroit (trata-se de um filme em co-produção). As camponesas voltam sorrindo e cantando das colheitas, e ainda têm bastante energia para dançar e tocar piano e violino a noite inteira. O Concerto Nº 1 para piano e orquestra de Tchaikovsky é executado o tempo todo, pois a heroína, a aldeã Nadya Stepanova (Susan Peters) é professora do conservatório da aldeia onde nasceu o compositor, rebatizada de Tchaikovskaya em sua homenagem. Ela vai a Moscou para convencer o grande maestro norte-americano John Meredith (Robert Taylor), em turnê pela Rússia, a tocar naquela aldeia.

O maestro apaixona-se pela ousada fã, e os dois acabam se casando em Tchaikovskaya, em mais uma longa seqüência de canto e dança. E quando tudo parece perfeito, na estréia da jovem pianista num grande concerto regido por John Meredith, transmitido ao vivo desde as costas do Mar Negro às do Oceano Pacífico, os nazistas invadem a URSS. Numa transmissão radiofônica extraordinária, Stalin incita o povo à resistência até a morte, ordenando a queima e a destruição de tudo o que não se puder levar para a retaguarda. “Todos os pares de mãos russas” são requisitados para o sacrifício patriótico.

É a guerra total e a política de terra arrasada, em discurso que muito se assemelha ao do filme nazista Kolberg, realizado naquele mesmo ano, mas em trama desprovida de qualquer romantismo. A pianista retorna a Tchaikovskaya para ensinar os alunos do conservatório de música a fazer coquetéis Molotov, “usado pela primeira vez pelo povo espanhol, e muito útil contra tanques alemães”, ela explica, enquanto aponta na lousa o desenho em giz de um tanque alemão e manipula garrafas em exemplo prático. O maestro, tendo o resto da turnê cancelada, tenta reencontrar a esposa, mas enfrenta o bloqueio militar em Tchaikovskaya. Consegue embarcar num trem de soldados, mas este é bombardeado, assim como a ponte que leva à aldeia. Ele prossegue a pé, pela estrada de lama, até que chega à aldeia, que se encontra destroçada.

O pai de Nadya jaz em frente à casa, atingida por uma bomba. Procura pela esposa, noite adentro, entre as chamas – Nadya está entre os resistentes que empreendem a queima das colheitas – e só a encontra de madrugada, quando ela retorna da guerrilha. Por fim, um menino da aldeia que queria muito estudar com o maestro e a quem este dera seu relógio de presente, ao vir ao seu encontro é metralhado pela aviação alemã. O pai do garoto diz então ao famoso maestro e à esposa camponesa, pianista e guerrilheira que o lugar deles é na América, para divulgar ao mundo em cada concerto e discurso que fizerem o massacre do povo russo, para que os povos da Europa e dos Estados Unidos se unam à URSS em sua luta pela liberdade. O ator Robert Taylor, conhecido por seu anticomunismo e sua colaboração com as comissões de investigação do macarthismo, fez o filme como empregado da MGM depois que Louis B. Mayer, também anticomunista, explicou-lhe que a produção fora encomendada diretamente pelo Office of War Information.

Days of Glory (Quando a neve voltar a cair / Dias de glória, EUA, 1944, 86′, p&b, drama, guerra). Direção: Jacques Tourneur. Com Tamara Toumanova (Nina Ivanova), Gregory Peck (Vladimir), Alan Reed (Sasha), Maria Palmer (Yelena), Lowell Gilmore (Semyon). Nina Ivanova (Toumanova) é uma bailarina que, em sua fuga, vai parar na célula secreta dos resistentes liderados por Vladimir (Peck). Ali, ela deve adaptar-se às condições duras da Resistência, aprendendo, entre outras coisas, a matar o inimigo. Os guerrilheiros vigiam as fronteiras da Rússia ante a iminente invasão das tropas nazistas. No frio extremo e sob a tensão da morte, Vladimir apaixona-se pela artista sensível que, contudo, demonstra coragem quando se vê frente a frente com o inimigo.

Quando a invasão ocorre, membros do grupo são detidos e enforcados publicamente, mas os demais defendem heroicamente a pátria, explodindo tanques nazistas até a morte. Dois grandes nomes estrearam neste filme maravilhosamente fotografado em preto em branco: Gregory Peck, que passou a ser disputado por todos os estúdios, até que decidiu assinar com a Fox; e Tamara Toumanova, conhecida como “a pérola negra do balé russo”, que nascida num trem quando sua mãe fugia da Rússia para juntar-se ao marido, viveu em campos de refugiados na Rússia, em Shanghai e no Cairo, estabeleceu-se em Paris, onde estudou balé e atuou em diversas companhias até ser contratada em 1932 por George Balanchine para os Ballets Russes de Monte Carlo. Após o término das filmagens de Days of Glory, casou-se com o produtor do filme, Casey Robinson. Vinte anos depois Tamara interpretou a bailarina terrível de Turn Curtain (Cortina rasgada), de Alfred Hitchcock.

Counter-Attack (EUA, 1945, espionagem, guerra). Direção: Zoltan Korda. Roteiro: John Howard Lawson, com base na peça Pobyeda, de Mikhail Ruderman. Com Paul Muni, Marguerite Chapman. Um soldado russo (Muni) e uma mulher da Resistência (Chapman) ficam presos numa fábrica de armamentos com sete alemães. Tem início uma batalha em espaço fechado – a pequena sala onde estão confinados.

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