JUZO ITAMI

 

Juzo Itami

Juzo Itami nasceu em Kyoto, em 1933, filho do cineasta Manaku Itami, conhecido por filmes que satirizavam o código de honra dos samurais. Itami começou a carreira como ator, em filmes de Kon Ichikawa e Nagisa Oshima, trabalhando também no cinema americano, notadamente em 55 Days at Peking (55 dias de Pequim, 1963), de Nicholas Ray, e Lord Jim (Lorde Jim, 1965), de Richard Brooks. Sua irmã Yukari era casada com o escritor Kenzaburo Oe, Prêmio Nobel de Literatura.

Antes de passar à direção, aos 50 anos de idade, Itami foi produtor de filmes de sucesso. Assim obteve independência financeira para poder criar, como diretor, com toda a liberdade, suas parábolas ácidas sobre a sociedade japonesa contemporânea.

Em seu primeiro filme, Ososhki (O funeral, 1984), uma família tenta manter as regras da etiqueta durante um funeral, mas tudo se reduz à hipocrisia na nova sociedade consumista do Japão ocidentalizado, onde os valores religiosos tradicionais cederam ao hedonismo.

Em Tampopo (Tampopo, os brutos também comem espaguete, 1986), um caminhoneiro americanizado tenta transformar a dona de um restaurante de beira de estrada, interpretada pela esposa do diretor, Nobuko Miyamoto, na melhor cozinheira do país. A atriz, notável comediante, também estrelou os filmes seguintes de Itami.

Em Marusa no onna (A coletora de impostos, 1987), Nobuko Miyamoto é a advogada de aparência frágil, dotada de um caráter que a torna determinada até a obsessão. Ela é assim capaz de enfrentar e derrotar sozinha, apenas com sua aguda inteligência, as forças criminosas mais renitentes.

Em Mimbo no Onna (A arte da extorsão, 1992), Nobuko Miyamoto retorna encarnando a mesma personagem de advogada-detetive implacável, agora contratada pelos funcionários de um hotel localizado em território da Yakuza. Atormentados pelos mafiosos, os funcionários são instruídos pela advogada, com vasto currículo no combate ao crime, e conseguem, com golpes legais certeiros, virar o jogo.

Itami incomodava a “boa sociedade”, que reagiu de modo rasteiro: a revista Flash tornou público que ele havia traído a esposa Nobuko Miyamoto com uma jovem de 26 anos. O editor da Flash, Kenji Kaneto, declarou que sua reportagem sensacionalista era “fundamentada”. Como bem observou o jornalista Antônio Gonçalves Filho, também as ligações entre a Yakuza e as mídias no Japão são fundamentadas…

Por não suportar o escândalo, Itami teria se atirado do alto do edifício de seu escritório, em Tóquio, aos 64 anos de idade, deixando uma nota sobre a mesa: “Somente através da morte poderei provar minha inocência”. Esse suicídio pareceu a muitos um assassínio planejado. Houve pelo menos um antecedente: após o lançamento de Mimbo no Onna, Itami foi apunhalado em seu rosto e pescoço por integrantes da Yakuza.

Enquanto estava hospitalizado, Itami, opositor dos métodos criminosos de segmentos corruptos da elite japonesa, escreveu um livro denunciando a extensão do crime organizado no país. O próximo filme de Itami mostraria os bastidores da seita Aum, do guru Shoko Asahara, que matou dezenas de pessoas com gás sarin no metrô de Tóquio. Com a morte de Itami, calou-se precocemente uma das raras vozes críticas no cinema japonês.

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