GUSTAVO NIETO ROA

Entre lençóis (2008), de Gustavo Nieto Roa, com Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira.

O cineasta colombiano Gustavo Nieto Roa realizou Entre lençóis (2008) no Brasil, com equipe e atores brasileiros, e a produção nacional ganha em alguns momentos um acento hispânico, com o erotismo vulgar cedendo ao melodrama romântico. Os personagens são, contudo, universais: tipos modernos, Roberto (Reynaldo Gianechini) e Paola (Paola Oliveira) caçam em boates de luxo e consumam o abate na mesma noite, sem nem sequer saber os nomes um do outro. Abrigados no motel mais próximo, eles se atracam num coito selvagem, depois do qual ameaçam se deixar. Mas algo os prende naquele quarto, onde centenas de outros casais se estrebucharam antes deles em orgasmos, e que imaginamos mal cheiroso apesar de limpo. E eles acabam passando a noite ali jogando conversa fora, firmando um pacto de sinceridade para revelar seus segredos mais íntimos, até se apaixonarem.

Roa conheceu Gianechini durante as filmagens de Sexo, amor e traição (2004) e o quis imediatamente para o papel. Paola de Oliveira parece ter sido também a primeira opção de atriz para a personagem. Os dois jovens atores esforçam-se para manter o interesse do espectador no filme, que só depende mesmo dos atores, pois se passa quase inteiramente no quarto de motel, abusando de closes dos dois corpos. Rodado em dois meses, dentro de um verdadeiro motel, no Rio de Janeiro, o filme se ressente de ter sido feito em vídeo: a imagem não é a melhor que se poderia desejar. A nudez dos personagens, necessária à trama, não é agressiva e até peca por certa timidez, com os atores escondendo os órgãos genitais, jamais vislumbrados. Para os que procuram cenas quentes o filme é uma decepção. As trepadas do casal são apenas um pretexto para cansativas discussões sobre relacionamento.

O filme comporta sentimentalismos baratos, baboseiras a esmo, falação contínua, repetição de clichês, reviravoltas de roteiro, joguinhos de ciúmes e manipulações típicas de novelas das dez, consideradas mais fortes pelas crianças que continuam na sala. Os personagens sofrem de uma estafante normalidade. É um entretenimento feito sob medida para o homem médio comum, desprovido de imaginação, e para o qual o máximo de fantasia erótica é passar óleos aromáticos pelo corpo todo e usar camisinhas comestíveis de vários sabores, ou  fazer uma produção cenográfica com a ajuda de um amigo que, num piscar de olhos, cobre o quarto de rosas vermelhas, espalhando pétalas pelo chão, para que a mulher se sinta uma deusa e, logo, disposta a uma nova trepada. No cinema, somos obrigados a ver tudo isso, mas na TV existe o excelente recurso do fast-forward, que podemos usar aqui com prodigalidade, parando a imagem apenas para conferir um que outro detalhe dos dois belos corpos.

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