MIGUEL ZACARÍAS

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El pecado de Adán y Eva (México, 1969, 92’, cor, drama). Produção: Azteca Films. Direção, Roteiro, Produção: Miguel Zacarías. Música: Manuel Esperon. Com Jorge Rivero, Candy Wilson (como Candy Cave).

A ação de El pecado de Adán y Eva tem início logo após a Queda. Um solitário Adão (Jorge Rivero) vaga pela Terra inóspita, recordando-se dos dias felizes e inocentes que viveu nos Jardins do Eden, sem vergonha de sua nudez, até que a companheira Eva (Candy), tentada pelo Diabo sob a forma de serpente, come o fruto proibido e o incita a fazer o mesmo, desencadeando a cólera divina.

Rodado nas belas paisagens naturais de El Salto, em San Luis Potosi, o filme é quase surrealista em sua visão desavergonhada do episódio bíblico. O veterano diretor Miguel Zacarías explorou ao máximo a nudez de Jorge Rivero, o mais suculento beefcake do cinema mexicano, destacando seu corpo mais que o da desconhecida atriz americana Candy, ou Candy Cave, ou Candy Wilson.

Não há, contudo, nudez frontal: os dois atores e o diretor tomaram todas as precauções para evitar que isso ocorresse, evitando assim a censura. O caminhar de lado dos personagens, a vasta cabeleira da atriz cobrindo seu colo, os objetos interpostos entre os corpos e a câmera e as filmagens em posições estudadas conspiram para suprimir eventuais aparições de genitálias.

Com apenas a voz de Deus ressoando em off em alguns momentos da narrativa; os gritinhos de Eva, descrita como uma fútil e vaidosa chantagista emocional; e os grunhidos de Adão, um cabeça-dura machista e bruto que fere os pés delicados ao tropeçar reiteradamente nas raízes elevadas de uma árvore, El pecado de Adán y Eva é quase um filme mudo.

Embora inteiramente rodado em locações, nas belas paisagens de El Salto, em San Luis Potosi, os cenários naturais foram “aprimorados” com a colocação de enormes flores coloridas de papel crepom em meio à vegetação, para simular uma natureza primitiva, adâmica, do começo da humanidade. Adão também está sempre bem barbeado e com os cabelos penteados em estilo casual.

Produzido no auge do Flower Power, El pecado de Adán y Eva parece ter visado o público jovem, hippie, gay, underground, mais que um público conservador e evangélico. A ambígua natureza de seus propósitos torna seu camp completamente autêntico, segundo o conceito desenvolvido por Susan Sontag em seu famoso ensaio sobre esse estilo.

Fora dos padrões do gênero bíblico, à maneira das heresias de Luis Buñuel, e aprofundando a linha exploratícia aflorada em Adán y Eva (1956), de Alberto Gout, e timidamente visitada no episódio da Queda em The Bible … In the Beginning (A Bíblia, 1966), de John Huston, El pecado de Adán y Eva é um dos filmes mais bizarros e aberrantemente geniais do cinema mexicano.

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