JACQUES FEYDER

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Knight Without Armour (O amor nasceu do ódio, Inglaterra, 1937, p&b, drama, épico, romance). Direção: Jacques Feyder. Produção: Alexander Korda. Com Marlene Dietrich, Robert Donat.

Na Inglaterra, Alexander Korda produziu o drama épico e romântico Knight Without Armour (O amor nasceu do ódio, 1937), sob a direção de Jacques Feyder, a partir do romance de James Hilton, com ação passada na Rússia, durante a Revolução de 1917.

Marlene Dietrich é a Condessa Alexandra Vladinoff, filha do general Gregor Vladinoff, importante ministro do regime czarista. Ela usa roupas glamorosas, viaja de trem pela Europa, baila na Corte do Czar, lê romances nos jardins da sua datcha e não sabe que sua vida de luxo e riqueza está chegando ao fim.

Robert Donat é o fracassado Ainsley Fothergill, um jornalista inglês desempregado, que fala perfeitamente o russo e pretende ganhar a vida escrevendo reportagens para um jornal de Moscou, mas vê-se censurado pela polícia czarista assim que publica seu primeiro artigo.

Fothergill tem o passaporte confiscado, sendo impedido de trabalhar e obrigado a deixar imediatamente o país. Como investira tudo nessa viagem, aceita o oportuno convite do Serviço Britânico de Inteligência para trabalhar como agente infiltrado no movimento revolucionário que crescia na Rússia.

Fothergill ganha uma nova identidade, passa a se chamar Peter Ouronov, e acolhe um terrorista mortalmente ferido que lançou uma bomba na carruagem de um ministro do Czar, quase atingindo também o pai da Condessa Alexandra. Embora tivesse apenas se condoído pelo jovem terrorista, Fothergill é preso e deportado para a Sibéria, com outros comunistas.

Na prisão, não vemos guardas maltratando os detentos, que parecem até livres, mas sem ter para onde ir: vivem em pequenos grupos em cabanas enterradas na neve, lendo, escrevendo, dormindo ou tomando chá, sem ver a luz do dia, pois é noite o tempo todo. Fothergill quase enlouquece.

Finalmente, estoura a Revolução e todos são libertados por tropas comunistas. Um colega de prisão de Fothergill é um revolucionário de peso e assume um alto posto no novo governo: ele nomeia o companheiro para Comissário do Povo e Fothergill passa a desfrutar dos privilégios da Revolução.

Ao mesmo tempo, a Condessa Alexandra percebe que algo errado acontece quando se levanta de  manhã, chama pelos criados e nenhum deles acorre. Sua datcha está vazia. Subitamente ela vê no horizonte dezenas de revolucionários rudes, brutais, que a cercam ameaçadoramente. Eles gargalham rasgando suas roupas finas, invadem o palácio, destroem preciosos objetos de arte, saqueando o ouro e a prata, únicos valores que reconhecem.

Alexandra é mantida prisioneira em seu palácio, até que o Comissário Fothergill a vê, já se apaixonando por ela. Enojado com a selvageria dos camaradas, foge dali com a “inimiga de classe”, salvando sua vida. Os dois passam para o lado dos russos brancos, mas no forte em que se abrigam os militares czaristas agem com a mesma selvageria dos vermelhos, fuzilando todos os bolcheviques. Fothergill é preso e deverá agora ser sumariamente executado.

Felizmente para ele, os comunistas tomam o forte, e passam a fuzilar todos aqueles que não trazem calos nas mãos. Mas então é a Condessa Alexandra que não passa no teste. Fothergill disfarça-se de trabalhador e intervém novamente dizendo ser ela sua irmã, e que ela não estava calejada por ser doente desde criança. O jovem Comissário se encanta com a bela “camponesa” e a salva de um velho Comissário que queria abatê-la a tiros ali mesmo.

O jovem Comissário, é claro, suspeita da farsa, e mais tarde descobre que tudo era mesmo mentira: aquela linda mulher não era irmã, mas amante de Fothergill, e provavelmente uma aristocrata. Mas ele também se apaixonou pela Condessa assim que a viu e não tem coragem de mandar matá-la. Ele até se sacrifica ajudando o casal enamorado a escapar dos camaradas.

Mas não há trens funcionando na Rússia, e os poucos que circulam passam direto pelas estações, sem carregar novos passageiros: os vagões estão completamente lotados. Seria preciso bloquear a locomotiva e subir sobre os vagões, arriscando a morrer de frio na viagem.

Quando o casal empreende outra fuga desesperada através de uma floresta, sempre perseguido pelos comunistas sedentos de sangue dos “inimigos de classe”, a Condessa parece conhecer bem aqueles caminhos, e diante da surpresa de Fothergill, ela explica: “Essa floresta é minha… Era minha…”.

Mais tarde, eles conseguem, junto a uma turba de camponeses que se deitam nas linhas da estrada de ferro, parar um trem e tomar assento. Mas a Condessa cai doente, os amantes são novamente separados. Fothergill consegue entregar Alexandra aos cuidados da Cruz Vermelha. Mas ele será fuzilado pelos sovietes.

A caminho da morte, quando tudo parece perdido, Fothergill escapa dos carrascos bolcheviques e salta pelos trilhos da estação, gritando por Alexandra, que está sendo transportada, em estado de choque, num trem da Cruz Vermelha para algum lugar civilizado da Europa.

Num esforço supremo, Alexandra consegue ouvir os gritos do amado Fothergill, que salta e se agarra a um vagão do trem todo branco da Cruz Vermelha. Ela abre os olhos, e levanta-se do leito, e acena da janela para ele, e os dois finalmente conseguirão escapar juntos e  vivos daquele inferno…

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