ANTONI GAUDÍ

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Acabo de ver o documentário Antoni Gaudí (1984). Que gênio imenso, inacreditável, foi esse arquiteto catalão. Pena que eu não tenha podido ver tudo dele quando estive em Barcelona. Visitei o Parque Güell, a Sagrada Família, algumas de suas Casas, mas não todas… Que desgraça, tão curta é a vida humana! No filme, há o depoimento de um discípulo:

Tivemos a nossa guerra civil que destruiu a maquete da Sagrada Família. Tivemos que reconstruir tudo de cabeça… Foi um trabalho enorme, gastamos muito tempo… Gaudí era vaidoso quando jovem, gostava de comer bem, de se vestir bem, mas antes de criar a Sagrada Família ele decidiu se purificar, creio… Pois fez um jejum, como Cristo, e ficou quinze, vinte dias sem comer… Emagreceu demais, e teve que ser retirado da cama, pois estava para morrer.

Para Gaudí, a arquitetura devia ser uma continuação da natureza, um prédio devia ser como uma árvore, que cresce em espiral, num movimento contínuo: Tudo está na natureza, o homem não cria nada que já não esteja dentro dele.” Durante dez anos Gaudí estudou o equilíbrio das estruturas, fazendo maquetes tridimensionais com dezenas de pesos e contrapesos…

Há católicos que trabalham pela beatificação de Gaudí. Não seria mal que a Igreja tivesse um santo artista dessa dimensão! Gaudí é um criador de maravilhas só comparável, nas artes plásticas, a Bosch, Giotto, Da Vinci, Michelangelo, Canova e Dalí; e, no cinema, a Griffith, Murnau, Dreyer, Lang, Buñuel e Hitchcock…

Há apenas umas três falas no filme, que é quase um filme mudo. Sob uma trilha sonora futurista, hipnótica, por vezes sonífera, a câmera passeia à vontade pelas construções de Gaudí, mostrando detalhes das igrejas e dos palaus que o olho humano não consegue alcançar, os interiores das casas que os turistas não têm a permissão de visitar.

Com apenas uma hora de duração, o documentário Antoni Gaudí, que ninguém daria um tostão para ver pela capa desse DVD, foi dirigido por outro gênio, este do cinema japonês: Hiroshi Teshigahara, o diretor de Mulheres de areia e A face do outro. A edição Criterium é de uma qualidade muito superior à do DVD lançado no Brasil. Vejam aqui.

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